sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

RESISTIR AO GOLPE MIDIÁTICO E DO STF!

Hoje, o Brasil está de luto!

Nossa democracia, na violação de nossa Constituição de 1988, foi enterrado com a decisão do STF hoje!

O Brasil não suporta mais tutores do processo democrático!

Viva o povo brasileiro!




sábado, 15 de dezembro de 2012

Até quando o PT continuará imobilizado?


sábado, 15 de dezembro de 2012

FHC, Lula, o PT e a “burrice”

Por Altamiro Borges

Nesta semana, o PT sinalizou que reagiria à ofensiva da direita midiática e partidária contra o ex-presidente Lula. O líder da sigla na Câmara Federal, Jilmar Tatto, conseguiu aprovar na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência um “convite” para que o chefão dos tucanos, FHC, preste esclarecimentos sobre a temida “Lista de Furnas” – documento que revela o desvio de recursos da estatal mineira para candidatos do PSDB. Ele também anunciou que o partido investiria na criação da CPI da Privataria Tucana.

A reação, porém, parece que não demorou muito tempo. Hoje, segundo o satisfeito blogueiro da Folha, Josias de Souza, o líder do PT no Senado descartou a iniciativa do seu companheiro de partido. “Em conversa com o blog, Walter Pinheiro (BA) censurou: ‘A comissão traz a inteligência no nome, mas agiu com burrice’. Pinheiro se articula com outros líderes governistas – à frente Renan Calheiros, do PMDB— para ‘repor as coisas nos seus lugares’. Como assim? ‘Esse ato tem que ser revogado’”, relata Josias.

Ausência de estratégia das esquerdas

A informação, se confirmada, evidencia a ausência de uma estratégia para fazer frente à nova investida da oposição demotucana e de sua mídia para desconstruir a imagem do ex-presidente Lula – e, na sequência, para fragilizar o governo de Dilma Rousseff. Enquanto o PSDB, o DEM e o PPS requerem a abertura de investigações contra o líder petista, com base nas denúncias requentadas do publicitário Marcos Valério, as forças de esquerda, em especial o PT, mostram-se acuadas e confusas. Cada um dá tiro para um lado.

Alguns setores pregam que é preciso reagir à altura, desmascarando o falso moralismo udenista da direita. Eles avaliam que está em curso uma onda denuncista para derrotar o projeto político inaugurado por Lula. Ela teve início com o midiático julgamento no STF do “mensalão petista”; prosseguiu com a tentativa de vincular o ex-presidente a Rosemary Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo; e agora ganhou novo fôlego com as acusações sem provas do condenado Marcos Valério.

"Birra inconsequente" de quem?

Já outros setores querem evitar o confronto político e defendem a busca da conciliação e da paz universal. “Não podemos permitir que fique a impressão de que a atividade política virou uma birra inconsequente”, teria dito Walter Pinheiro ao blogueiro da Folha. Mas de quem é a “birra inconsequente”? Dos setores que apoiam Lula e Dilma ou das forças de direita que perderam as três últimas eleições presidenciais e não abandonaram as suas táticas agressivas? Afinal, quem está agindo com “burrice”?

A direita midiática e partidária já deixou explícito que não abandonará sua estratégia demolidora, sua “birra inconsequente”. Ela não tem outra saída, é uma questão de vida ou morte. Sem programa e sem nomes fortes – o cambaleante Aécio Neves não convence nem os tucanos –, ela só tem o discurso moralista como arma. Como no passado, a direita mais suja do que pau de galinheiro vai insistir no falso discurso ético. Ela também apostará no quanto pior, melhor – no caos econômico. Mas não tem segurança sobre esta hipótese.

Já as forças de sustentação do governo estão na defensiva. Durante o julgamento do “mensalão”, a visão pragmática, que se exacerba em períodos eleitorais, acabou vingando e a reação à politização do processo foi tímida – para não dizer inexistente. Agora, com o tiroteio deflagrado a partir do caso Rosemary e das acusações do chefe do valerioduto, até se esboçou uma reação. Mas ainda há muita gente que vacila e teme o confronto, que prefere os conchavos de bastidores à politização da sociedade. Lamentável!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

DIREITOS DE CIDADANIA



Estamos chegando a mais um fim de ano e, novamente, os cidadãos e cidadãs homossexuais estão sem garantias de uma ação efetiva do governo e da sociedade contra os crimes de ódio e preconceito dos quais são vítimas. É mais um ano que passa sem que a tipificação da homofobia seja um instrumento mobilizador e    ágil contra aqueles que cometem o crime da exclusão de direitos de cidadania garantidos a outros setores sociais também fragilizados em uma sociedade capitalista, competitiva, excludente e patricarcal.

Já não bastasse nossa Presidente da República dizer que a homossexualidade é "uma opção" e que ela não faria propaganda de tal situação, a comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais (LGBTT) tem que sofrer com as piadas infames na mídia, com o terror religioso que as igrejas promovem e com a total falta de preparo dos educadores, policiais e outros agentes públicos em tratar com igualdade e respeito pessoas que pagam em dia seus tributos!

Países vizinhos, com cultura semelhante e laicos como o Brasil já estão promovendo legislação que garante direitos iguais à população LGBTT. Argentina, Uruguai, Chile e, até, estados norte-americanos (tão influenciados pelas mesmas igrejas pentecostais que temos no Brasil) e o Presidente dos EUA promovem leis (e as aprovam) que diminuam a violência e as desigualdades que os homossexuais são vítimas.

O Brasil tem um histórico de defesa da cidadania. Nossas crianças e adolescentes possuem um estatuto que lhes garante direitos e deveres deles próprios, dos governos e da sociedade. E, mesmo com essa legislação são vítimas também do terror da "turma da bala", daqueles que defendem a maioridade penal aos 16 anos! Gente despreparada e que não estuda o processo de formação de personalidade, educacional e cultural dos seres humanos. Uma parcela minoritária que já foi derrotada no campo político e institucional mas que conserva seu ódio interior aos nossos seres em formação, lado mais frágil da falta de políticas inclusivas, principalmente para as crianças pobres, negras e que vivem em famílias que necessitam de seu trabalho para poderem viver.

O estatuto da criança e do adolescente, de 1990, é considerada uma legislação moderna pela Organização das Nações Unidas. É um instrumento decisivo para o estabelecimento de cidadania para milhões de brasileiras e brasileiros, eternamente sob o ataque de uma sociedade conservadora e que não se importa com os destinos daqueles que não sejam ricos, brancos e cristãos. http://pt.wikipedia.org/wiki/Estatuto_da_Crian%C3%A7a_e_do_Adolescente

Mesmo com uma legislação que proíbe a violência contra as crianças  e adolescentes, há resistência dos setores reacionários a uma lei que a veda inclusive aos membros da família o exercício dos castigos físicos e morais ( Lei da palmada http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_Palmada ). Logo vem os facinoras a dizer: "eu apanhei em criança e não morri por isso". Esse tipo de pensamento é daqueles que são mais cruéis,porque internalizaram a tortura que sofreram e não se libertam deste pensamento desmoralizador das ações de carinho e amor que todos desejamos aos nossos seres mais frágeis.


Na outra outra ponta estão nosso idosos. Pessoas que se dedicaram a vida toda a formar suas famílias ou que trabalharam duro e chegam abandonadas e esquecidas por suas "famílias" em asilos ou vivem sós, largadas da proteção devida pela sociedade àqueles que contribuíram tanto para que chegássemos mais prósperos aos dias de hoje. Uma população fragilizada pela perda contínua dos sentidos e forças dos músculos, sem atendimento psicológico, médico de qualidade e atendimento ágil. Nossos idosos ainda clamam por mais políticas inclusivas e sociais. É necessário que as pessoas os entenda e os respeite na sua integralidade pois quando chegamos a uma idade avançada nada é igual ao que era antes, nada e ninguém passam a ter uma presença maior nas suas vidas. Familiares amados, amigos presentes e toda sorte de companhia esfumaça com o cotidiano de sobrevivência a todas as dificuldades pelas quais passam.

Os idosos são tesouros ambulantes de histórias e cultura. Testemunhos de épocas passadas, vivências diferentes e sobreviventes de um mundo desigual eles se tornam referência do que pode ser crível para a melhoria da sociedade. Sua ação pré existente definiram nosso imaginário e com isto nos tornamos cada vez mais responsáveis para que tenham uma vida melhor.

Os idosos necessitam, inclusive, que estejamos sempre alerta para as violências que sofrem sem saberem disso. É preciso que conheçamos o Estatuto do Idoso pois dessa forma temos uma orientação dquilo que podemos colaborar: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.741.htm


As mulheres também são vítimas da violência machista e religiosa. É cada vez mais patente que a superação desta forma de exclusão e tortura é dado pelo conhecimento dos instrumentos legais colocados à disposição das mulheres. É uma pena que o Brasil sempre corre atrás de outras nações em termos de direitos aos setores mais sensíveis à exclusão. Só nos anos 70/80 do século XX se tornou possível dar fim a um casamento:  http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11574&revista_caderno=14

Enquanto isso, o aborto e o direito da mulher dispor de seu corpo livremente tratado como crime. Esta influência maléfica de setores religiosos (que atrasaram tanto a escravidão e o divórcio) tem se tornado um promotor da morte e sofrimento de milhares de mulheres e famílias que querem planejar um futuro melhor para si e para seus descendentes. Estes irresponsáveis colocam suas crenças como superiores ao regime das leis que devem reger a vida comum de um país, de um povo. O convívio humano só encontra a paz e o respeito mútuo se todas as forma as de pensamento estão contempladas na legislação, na Constituição. A nossa, de 1988, é considerada como "cidadã", portanto pretensamente laica, o que está conforme aos primeiros passos de nossa república, proclamada em 1889 e ratificada pelo plebiscito de 1993: http://pt.wikipedia.org/wiki/Plebiscito_sobre_a_forma_e_o_sistema_de_governo_do_Brasil_(1993)

Por outro lado, a violência incontida com as ações brutais de homens machistas e patriarcais, que se consideram superiores, muitas vezes influenciados pelas religiões fanáticas, imbuídos do que consideram um legado de "deus" pela bíblia cristã ou pelo alcorão muçulmano está sendo combatida de forma mais incisiva com a promulgação e difusão eficaz da lei Maria da Penha. http://www.observe.ufba.br/lei_mariadapenha

 Todos, os progressistas, queremos que o mais breve possível tenhamos finalmente no país uma igualdade factível entre homens e mulheres.



A luta por dignidade e cidadania é contínua e complexa. Nunca podemos desistir de sonhar e propugnar por uma vida e um mundo melhor. Nossas denúncias e ações constituem as armas que dispomos para a transformação, numa revolução que nos trará uma sociedade nova, livre, democrática, justa e igualitária.



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ataque ao Prsidente Lula é uma desonra!


Ignomínia,

 de Thiago Orlandin


Sinto que a minha vida está se estreitando como a uma ampulheta
Me sinto alguém que tem o tempo como areia entre as mãos
E cada grão de silêncio que essa máquina opera
É como uma gota de sangue dos olhos
Pois o tempo apunhala e fere
Dos sentidos O sentido
:
E
S
T
R
E
I
T
A
 A visão
Deixando uma adrenalina que faz palpitar
Estrangula meu canto, extrapola meu pranto, coaduna choro e velas


Está acontecendo o que eu temo há muito tempo. O silêncio da maioria frente às investidas de uma minoria golpista e derrotada nas últimas eleições. Uma parte da sociedade que se entrega às aspirações de uma elite vende pátria, excludente e incompetente.
Não podemos mais errar, como já fizemos no passado, escondendo nossa indignação com a ação solapadora das instituições democráticas, da vontade popular e das iniciativas (que se concretizaram no governo Lula) de melhoria de vida da maior parte da população brasileira. Neste nosso país, os ricos nunca admitiram que o dinheiro público fosse investido em educação, saúde, segurança e na dignidade de nosso povo e país. Antes do governo do Partido dos Trabalhadores e seus aliados, o país era o paraíso dos corruptos, dos gastos públicos com interesses privados de bancos, latifundiários, empresários sem capacidade de criar e produzir. Era o país "maravilha" de toda sorte de aventureiro e ladrão. Eu não esqueço de Ronald Biggs (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ronald_Biggs ), um ladrão que vivia entre os ricos do Rio de Janeiro e era cortejado pela Rede Globo. Este é o tipo de herói daquela sociedade podre, que ainda insiste em querer subjugar novamente a classe trabalhadora.
A acusação que o bandido banqueiro, Marcos Valério, fez nesta terça feira, contra o Presidente Lula é uma mentira que está sendo repetida pela mídia vende pátria e anti povo. O objetivo é claro: derrotar, nem que seja só moralmente, o PT e o governo federal na sociedade brasileira. Outra tentativa, das centenas que esta imprensa, sem compromisso com a verdade, divulga para destruir o que foi conquistado pela cidadania brasileira até agora.
Esta mídia partidarizada, que subsidia uma oposição sem projeto político alternativo, que seja do interesse da maioria dos eleitores brasileiros, produz, a cada esvaziamento das injúrias e das acusações sem provas uma nova ação solerte, velhaca, contra o Presidente Lula, o governo popular democrático, de coalizão e lideranças petistas e populares de qualquer lugar do país.

Temos que nos cuidar, ler o outro lado das notícias e formar nossa própria opinião. É claro que não basta olharmos como estamos vivendo. É preciso comparar com o que vivíamos, no Brasil, há mais de uma década, antes das ações governamentais do país que trouxeram esperanças e realidades novas aos milhões de compatriotas que viviam fora do mercado de consumo e do trabalho. Pessoas que acordavam de manhã sem saber se iriam comer um pedaço de pão! É, ainda, necessário comparar como estamos vivendo em relação aos povos dos Estados Unidos e da Europa. Os reacionários, os vende pátria não querem que continuemos em nosso caminho de avanços e de assunção dos mais pobres a direitos e bens de consumo que nem imaginavam que algum dia teriam.
O Brasil não retrocederá se agirmos: o que fizermos, o que produzirmos na área política e social, de efetivo, será capaz de derrotar a minoria rica, armada até os dentes de todas as formas contra o que eles chamam de classe dos "qualquer um": "qualquer um, hoje, tem carro", "qualquer um, hoje, viaja de avião", "qualquer um, hoje, come em restaurantes de qualidade", "qualquer um, hoje, pode ter um computador", "qualquer um...
Não basta escutarmos as notícias: é preciso nos mobilizarmos, atender ao chamamento para demonstração do poder popular, participar de passeatas, de tuitaços, de denúncias das acusações e das decisões que prejudicam o trabalho de crescimento da riqueza, da distribuição de renda, de conquistas de direitos e de exercício pleno da cidadania. Nosso país não é formado de palhaços como prega a oposição: nosso povo é consciente, sabe o que quer e tem participado da luta por uma Nação unida, pluralista, democrática e mais justa.
Ficar de olho aberto, sem se deixar enganar por notícias que são farsas para enganar os trouxas que ainda lambem o saco do patronato e dos ricos. Notícias que promovem a trapaça de tentar um terceiro turno em eleições perdidas nas urnas. 
Nossa união é o caminho possível para derrotar aqueles que não querem ver nosso país e nosso povo mais rico, desenvolvido, educado, democrático e cada vez mais igualitário. Na paz, porém com decisão e determinação, vamos chamando nossos amigos e amigas, nossos familiares, nossos vizinhos e todos os patriotas para enfrentar que não tem amor à causa da Justiça Social e da Liberdade.

SEMPRE UNIDOS ATÉ A VITÓRIA!

sábado, 8 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

PARA SEMPRE UMA OBRA DE NIEMEYER!

(foto do monumento à luta do Movimento dos Sem Terra, no Paraná)

Faleceu nosso camarada Niemeyer, dia 05 de dezembro de 2012, a dez dias de quando faria 105 anos. Camarada de lutas, de convicção comunista, solidária, igualitária e profundamente democrática. Um ser humano que, para lá de líder, um exemplo de simplicidade, de dignidade e de permanente estudo. Um intelectual do proletariado consciente, vanguarda de um mundo diferente deste, em que o imperialismo humilha e explora bilhões de pessoas, um cavaleiro da ação, da transformação radical da sociedade e de aliança permanente e indestrutível com os trabalhadores e trabalhadoras do mundo inteiro e, principalmente de nossos compatriotas.

Ele faleceu, mas não morreu o sentimento de luta de todos e todas que o admiram e o tem como prova de que é possível sonhar a vida inteira sem declinar disso em nome de um pragmatismo que exclui os mais fracos, os mais perseguidos, os mais humilhados e os mais oprimidos.  Acreditar que o mundo nunca mais terá um homem explorando outro homem, uma humanidade que acredita no internacionalismo proletário, na solidariedade entre os povos e na assunção da classe operária como a libertadora do jugo capitalista. Ter como referência nossos ideólogos e cientistas sociais que nos esclarecem a forma em que a História ocorre, como a luta de classes é o motor de mudanças, como o compromisso com o socialismo científico existente na prática diária e nas leituras refletidas ajudam a libertar nossos povos das garras das elites belicistas e excludentes. Esses são os maiores legados deixados por Niemeyer. Suas obras como arquiteto são mais um panfleto de recordação que é possível o ser humano conviver para o progresso, para o domínio humano da natureza e para o exercício da beleza proletária investida das características de cada Nação. 
( Monumento Tortura Nunca Mais, Recife, Pernambuco)

Niemeyer continua na luta através de nós, os que amamos a democracia como forma de chegarmos a uma sociedade livre de opressão e exploração. Uma sociedade onde a liberdade não seja a de explorar, de maltratar, de discriminar e de exercer qualquer tipo de movimento que diminua a importância de cada ser humano seja de forma individual, seja de forma coletiva. Niemeyer continua na luta,  através de todos e todas, construindo um mundo onde os Direitos Humanos e Sociais estejam garantidos em todo o planeta.

(Brasília - Esplanada dos Ministérios)

Nossa participação, em todo o processo de transformação radical e profunda em nossa sociedade, sempre se refletirá em melhora para que o mundo não sucumba ao terror e ao ódio de poucos por muitos, nem de muitos contra poucos. Devemos construir um mundo onde cada ser humano tenha certeza de que não será mais enganado, destruído ou rejeitado por seus iguais: o socialismo onde cada um dá o que pode e recebe o que necessita para trilharmos um outro tempo: o comunismo, um mundo onde todos trabalham para todos e não necessitam mais de qualquer força coercitiva.

Oscar Niemeyer (1907/2012)


sábado, 24 de novembro de 2012

Sonhando!



Creio que o sonho faz a gente se sentir melhor. Nas noites em que consigo dormir bem, quando eu tenho sonhos que me acordam de bom humor e sem medo de enfrentar a vida, o mundo me parece tão om, acessível, gostoso de se apreciar, de relaxar, de gozar.

Eu tenho vários sonhos com membros de minha família, com amigos, com pessoas que aparecem de forma estranha, gente que não conheço, mas que é agradável. Dizem que vamos para outra dimensão em nossos sonhos. Talvez...como denominaríamos esse fato ou ilusão? Não importa. O que ganhamos com esse "viver" num sonho é o mais importante porque nos alegramos, sentimos que é possível se dormir bem e acordar melhor ainda.



Escutar uma música, ou várias. Assistir a um filme, ler um livro, rememorar momentos enternecedores que tivemos no passado fazem parte deste cuidar-se.

Não estou sonhando! Isso é real. Mesmo que eu o diga em uma tarde de primavera...próximo ao verão. Vamos e voltamos sempre marcados pelo que nos apaixonamos, nos entregamos de corpo inteiro.

Acordar atento à vida não é uma obrigação. Desejamos que ela esteja sempre bem e isso não é sempre verdade. A tristeza pode nos tomar, a saudade pode nos conquistar, um sopro de vento pode nos levar de volta às lembrança doloridas como feridas abertas. Temos que nos sentar num banco, nos refazer e se levantar sentindo o amor próprio retomar nosso ser, fortalecido, arrancando do sonho a realidade que queremos.



Não vamos nos deixar entristecer pelos tacão do ódio, da fofoca, do desencontro inesperado, sentido e  desvelador. A vida é assim. Ela tem um dono. Você!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012




15 DE NOVEMBRO DE 2012 - 12H32 

Eric Nepomuceno: A sentença de um julgamento insólito 


José Dirceu, figura emblemática da esquerda, homem forte da primeira metade do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006), dono de forte influência sobre o PT, partido que ajudou a fundar, e principal estrategista da chegada do ex-metalúrgico à presidência do Brasil, foi condenado a dez anos e dez meses de prisão e a pagar uma multa que gira em torno de 340 mil dólares. 

Por Eric Nepomuceno*


Com isso, caso se confirme a pena, José Dirceu terá que cumprir pelo menos um ano e nove meses de prisão em regime fechado, antes que possa solicitar a passagem para o regime semiaberto. Existe a possibilidade, bastante remota, de uma revisão de sua pena no final do julgamento realizado no Supremo Tribunal Federal em Brasília. Seus advogados certamente recorrerão da sentença, mas com probabilidades igualmente remotas.

A sentença foi ditada ontem. Sete integrantes da Corte Suprema optaram pela pena mais dura, um pediu uma pena mais branda e outros dois optaram pela absolvição. José Genoino, presidente do PT no momento da denúncia, foi condenado a uma pena menor, de seis anos e sete meses. De acordo com a legislação brasileira, penas inferiores a oito anos podem ser cumpridas em regime semiabierto.

As penas, após as condenações, não surpreenderam. Desde o principio desse julgamento ficou clara a sanha da maioria dos juízes em satisfazer uma opinião pública altamente contagiada pelos grandes meios de comunicação, que condenaram Dirceu e Genoino de antemão e que agora se lançam sobre Lula. Prevaleceram inovações jurídicas no mais alto tribunal brasileiro, começando por colocar o ônus da prova não apenas em quem acusa, como também na defesa. Insinuações, supostos indícios, ilações, tudo passou a ser tão importante como as provas dos delitos de que eram acusados, que nunca surgiram. Dirceu foi condenado com base em um argumento singular: ocupando o posto que ocupava e tendo a influência que tinha, é impossível que não tenha sido o criador de um esquema de corrupção.





O relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, primeiro negro a ocupar uma cadeira na máxima instância da Justiça brasileira, foi implacável em seu furor condenatório. De temperamento irascível, atropelando os colegas, exibindo um sarcasmo insólito, mencionou várias vezes a jurisprudência alemã, em especial o jurista Claus Roxin, de 81 anos, para justificar a aceitação de ausência de provas concretas ao se condenar mandantes de crimes.

No domingo passado, véspera da sentença, o mesmo Roxin se encarregou de esclarecer as coisas. Disse que sua teoria de “domínio do fato” havia sido mal interpretada por Barbosa. Para que a Justiça seja justa, é necessário sim, apresentar provas concretas.

A esta altura, esse esclarecimento é um pobre consolo para Dirceu e Genoino. O Supremo Tribunal Federal se prestou a um julgamento de exceção. Não houve nada que impedisse que esse rumo fosse traçado. Fora da Corte Suprema, pouca gente sabe quem é Claus Roxin. E dentro da Corte, talvez não importasse que seus ensinamentos fossem deturpados.

Ao fim e ao cabo, era necessário satisfazer uma opinião pública claramente manipulada. E, sobretudo, satisfazer seus próprios egos, que padecem de hipertrofia em estado terminal.

*Eric Nepomuceno é jornalista e colunista da Carta Maior.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Até quando a igreja católica continuará se intrometendo na vida pessoal dos indivíduos?


13/11/12

Vaticano inicia "guerra midiática" contra casamento gay

 
Publicado pelo OperaMundi
 
A alta cúpula da Igreja Católica irá intensificar sua campanha contra o casamento gay. De acordo com o jornal L’Osservatore Romano, principal publicação do Vaticano, a Santa Sé irá investir fortemente contra iniciativas de conceder o reconhecimento legal de casais do mesmo sexo.
 
Em um comunicado paralelo, feito pelo porta-voz do Papa, à Rádio Vaticano, Federico Lombardi perguntou sarcasticamente por que os defensores do casamento entre homossexuais não pedem também o reconhecimento legal de casais poligâmicos. “Fica claro que, nos países ocidentais, existe uma tendência disseminada de modificar a visão histórica do casamento entre um homem e uma mulher. Ou mesmo de renunciar à ela, eliminando seu reconhecimento legal específico e privilegiado na comparação com outras formas de união”, disse.
 
O editorial de Lombardi na Rádio oficial da ICAR, transmitida para o mundo todo em cerca de 30 línguas, classificou as decisões como “míopes”, afirmando que “essa lógica não pode ter uma percepção de longo prazo visando o bem comum”. Ele afirmou ainda ser de “conhecimento público” que o “casamento monogâmico entre homem e mulher é uma conquista da civilização”.
 
Reação
 
A forte reação dos católicos é resultado dos avanços do movimento gay em diferentes partes do mundo, escreveu o jornal The Australian. Três Estados dos Estados Unidos aprovaram o casamento homossexual em referendos e o presidente reeleito, Barack Obama já se disse favorável ao reconhecimento da união gay. Embora tenha parabenizado Obama pela reeleição, o Papa Bento XVI disse estar "rezando para que os ideais de liberdade e justiça continuem a ser acolhidos no mundo".
 
Na mesma semana, a Espanha manteve a lei do casamento gay, e a França avançou com a legislação que promete legalizar o casamento entre homossexuais no início do próximo ano.

Fonte:http://www.homorrealidade.com.br/2012/11/vaticano-inicia-guerra-midiatica-contra.html

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

PELA JUSTIÇA AO JOSÉ DIRCEU!



O Supremo Tribunal, em menos de quinze dias, soltou um assassino - o que mandou matar a irmã Dorothy, no sul do Pará, uma freira norte-americana que há décadas trabalhava em prol do povo da floresta e condenou um líder democrático e socialista, sem provas e baseado em uma teoria de exceção, o "domínio de fato".



GOLPISMO! BASTA DO JUDICIÁRIO LIBERTAR BANDIDOS E MANDAR PRENDER LIDERANÇAS DEMOCRÁTICAS!

Abaixo, a nota do José Dirceu sobre sua condenação!

INJUSTA SENTENÇA
Publicado em 12-Nov-2012
Dediquei minha vida ao Brasil, à luta pela democracia e ao PT. Na ditadura, quando nos opusemos colocando em risco a própria vida, fui preso e condenado. Banido do país, tive minha nacionalidade cassada, mas continuei lutando e voltei ao país clandestinamente para manter nossa luta. Reconquistada a democracia, nunca fui investigado ou processado. Entrei e saí do governo sem patrimônio. Nunca pratiquei nenhum ato ilícito ou ilegal como dirigente do PT, parlamentar ou ministro de Estado. Fui cassado pela Câmara dos Deputados e, agora, condenado pelo Supremo Tribunal Federal sem provas porque sou inocente.

A pena de 10 anos e 10 meses que a suprema corte me impôs só agrava a infâmia e a ignomínia de todo esse processo, que recorreu a recursos jurídicos que violam abertamente nossa Constituição e o Estado Democrático de Direito, como a teoria do domínio do fato, a condenação sem ato de ofício, o desprezo à presunção de inocência e o abandono de jurisprudência que beneficia os réus.

Um julgamento realizado sob a pressão da mídia e marcado para coincidir com o período eleitoral na vã esperança de derrotar o PT e seus candidatos. Um julgamento que ainda não acabou. Não só porque temos o direito aos recursos previstos na legislação, mas também porque temos o direito sagrado de provar nossa inocência.

Não me calarei e não me conformo com a injusta sentença que me foi imposta. Vou lutar mesmo cumprindo pena. Devo isso a todos os que acreditaram e ao meu lado lutaram nos últimos 45 anos, me apoiaram e foram solidários nesses últimos duros anos na certeza de minha inocência e na comunhão dos mesmos ideais e sonhos.

José Dirceu.






quarta-feira, 7 de novembro de 2012

6 DE NOVEMBRO DE 2012 - 14H30 

Capistrano: Os 95 anos da Revolução Soviética


Neste ano, no dia 7 de novembro, comemoramos os 95 anos da Revolução Soviética de 1917. Fato histórico comparável a outro importante acontecimento da história da humanidade, a Revolução Francesa de 1789. Duas revoluções que transformaram o mundo.


Lenin

Hoje, mais do que nunca, se faz necessária uma profunda reflexão sobre a importância da Revolução Soviética para o mundo contemporâneo.

Em novembro de 1987, na época eu era reitor da UERN, fui convidado e participei de uma confraternização comemorativa aos 70 anos de Revolução de 1917. Confraternização realizada na embaixada da União Soviética em Brasília. Como historiador, comunista e admirador da Revolução Russa de 1917, estar presente na festa dos seus 70 anos, ainda mais na embaixada Soviética, foi um momento mágico para mim. Naquela época já dava os primeiros passos a “famosa” Perestroika comandada por Mikhail Gorbatchev. Era o início do fim da União das Repúblicas Socialista Soviética, como também, o fim dos regimes socialistas do Leste Europeu, momento de incerteza do movimento comunista internacional.

Durante a década de 1990, no auge do neoliberalismo, houve um massacre midiático contra as ideias marxistas, ideário que fundamentou a Revolução de 1917 e transformou a velha Rússia semifeudal no primeiro Estado Socialista do mundo contemporâneo e em uma das grandes potências econômica e militar do planeta.

Com o fim da Rússia Soviética, os ideólogos do mundo capitalista chegaram a preconizar o fim da história, como se isso fosse possível. Segundo eles era a derrocada do marxismo e o triunfo definitivo do neoliberalismo. Aqui no Brasil, no meio acadêmico e intelectual, falar ou defender o marxismo e a Revolução Soviética passou a ser coisa de dinossauro, de gente ultrapassada. Era o consenso midiático impondo os interesses de uma velha ordem que sempre desejou se eternizar como única via econômica e política para todos os países, tendo o neoliberalismo como teoria vitoriosa para sempre. Ledo engano.

Com o fracasso do neoliberalismo e a crise permanente do sistema capitalista mundial, tendo como consequências o desemprego e a perda de conquistas históricas da classe trabalhadora, inclusive nos países desenvolvidos, o marxismo e a Revolução Soviética voltam a ser uma referência nos debates sobre os rumos que a humanidade deve tomar na busca de um mundo econômico e socialmente justo.

Com o aprofundamento da crise europeia e os sobressaltos do capitalismo norte-americano, como também a nova conjuntura política da América Latina, se faz necessária uma reflexão profunda sobre o mundo contemporâneo e os benefícios do marxismo para a humanidade.

A experiência soviética não pode ser esquecida. As conquistas econômicas e sociais trazidas pela Revolução de 1917 voltam a ser relembradas como modelo de transformações sociais e culturais de interesse da classe operária e campesina, em fim, de toda coletividade.

Portando, é importante que os partidos políticos de esquerda, as universidades, os sindicatos da classe trabalhadora, as organizações populares, enfim todos os que têm compromisso com a coletividade e com a convivência pacífica entre as nações, realizem debates, palestras, conferências com o objetivo de resgatar os pontos positivos da Revolução Soviética de 1917 e do marxismo para a humanidade.

Reproduzo um pequeno comentário que li em uma matéria sobre os preparativos de um ciclo de debates que o Jornal Brasil de Fato realiza sobre os 95 anos da Revolução de 1917, comentário no qual o missivista diz: “Parabéns pela iniciativa! Estamos todos, a cada dia mais necessitados de debates que nos ajudem a compreender algumas das profundas transformações (e esperanças) que foram massacradas na última década do século passado e que precisam ser reapropriadas, reinventadas, refundadas nestes novos tempos de profundas desgraças, mas, também, de largas e belas possibilidades”. O sonho de um mundo socialista não morreu.

 
Antonio Capistrano – foi reitor da Uern é filiado ao PCdoB

(fonte: site "Vermelho") -      
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sábado, 3 de novembro de 2012

GOLPE?

Eu não acredito que os setores conservadores queiram dar um golpe.
Derrotados nas urnas, seriam derrotados nas ruas. O povo não obedeceria a mais ninguém, o Estado perderia toda e qualquer autoridade. Hoje não temos um povo que se submeteria a uma ditadura seja militar, seja de um judiciário vende pátria e capacho das oligarquias.
O Estado democrático sequer consegue dominar o narcotráfico, quanto mais um povo irado, insatisfeito com a usurpação de seu poder por políticos bandidos que não querem perder sua parte de poder onde foram derrotados.



A mídia, aliada ao poder judiciário submetido à pressões inadmissíveis num estado de Direito Democrático, conseguiram uma vitória de Pirro no Supremo Tribunal Federal. O povo respondeu, solenemente com indiferença e raiva, à tentativa desleal desta matilha de condenar lideranças antigas do Partido dos Trabalhadores num processo eleitoral corrente. Vergonha que teve pronta resposta popular numa lavada eleitoral inesquecível para a oposição vende pátria. O país não tem mais um povo cordeirinho como imaginavam os golpistas!
Temos que ter atenção e organização. Numa tentativa de golpe pelo judiciário teremos que ocupar as ruas e promover ações de insatisfação sem violência, mas com determinação.
Demonstraremos, como em todo o processo de democratização do país, agora liderado pelas classes trabalhadoras, sem lideranças patronais, a vontade das urnas em ver o país caminhando na direção do progresso e do fim da miséria e da pobreza.
Queremos mais educação, segurança, saúde e crescimento econômico. Queremos banir de nossas terras a violência, o elitismo, o autoritarismo e a exclusão social.
Ninguém deterá o povo brasileiro deste destino. Há décadas o movimento popular aponta para uma nova era de liberdade, desenvolvimento social, econômico e institucionalização da democracia.
Os inimigos da verdade, da igualdade entre nossos compatriotas e o exercício pleno da cidadania não terão sucesso!


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

UMA NAÇÃO CADA VEZ MAIS DEMOCRÁTICA E JUSTA?



Na minha infância, por ser sempre um moleque perguntador, eu ficava muito curioso com o que os adultos debatiam, e, um assunto particular me instigava: a política. Meus pais, conservadores e lacerdistas, sempre estavam envolvidos na família, com amigos e em locais públicos com conversas sobre como o Brasil poderia melhorar, defendendo pontos de vistas muito semelhantes, numa cumplicidade que me enchia de orgulho. Afinal meus pais além de falar de comidas, roupas, escola, disciplina como qualquer pai ou mãe fazem, eram pessoa consideradas muito inteligentes por serem claros no que se refere ao que pensavam para nossa Nação.
Mas eles brigavam muito entre si. Incompatibilidade de gênios, dizia meu pai. Irresponsabilidade, dizia minha mãe. E eu, meus irmãos e minha mãe voltávamos sempre para a casa de meus avós maternos, onde sempre fomos abrigados frente aos humores de minha mãe e de meu pai. Meu avô era um simpatizante das idéias progressistas e sempre me chamava a atenção uma frase que ficou gravada na minha memória: "um homem honesto é o que tira, legalmente, dos que possuem muito e dá estas riquezas aos que nada possuem".
Esse pensamento era muito conflitante com o que meus pais me diziam e que me levavam a ser um aluno excelente. Estude, se forme e seja um bom profissional. Era o que repetiam todo tempo para mim, quando eu recebia uma nota pior em alguma prova ou teste. Nunca repeti de ano. Sempre tive boas notas e, acredito os acostumei mal, pois perdia um ponto nas minhas notas 10, 9 ou 8 e meus pais cobravam.
Creio que é daí a minha preocupação com política. Muitos e muitas companheiros e companheiras de minha geração e a população em geral não querem ter mais problemas do que os já o possuem em seus cotidianos. Relegam a política para o segundo plano ou sequer a cogita em suas reflexões.




Eu cresci numa ditadura militar. Não se podia falar de política na escola. Tudo que podíamos fazer era ter alguém em quem confiar e externar nossos pensamentos. Eu me refugiei nos livros. Ia sempre à Biblioteca Nacional ou a do bairro, ou as bibliotecas dos amigos e amigas. Falar, cantar, declamar versos, ler determinados jornais, revistas, livros e textos era perigoso, avisavam meus pais, preocupados com o filho que não se conformava com o medo em que as pessoas viviam.
Entrei na universidade. Pronto! Foi ali a perdição e os segundos contatos com a companheirada que lutava aguerrida contra o regime militar. Os primeiros foram tão assustadores que prefiro apagar da memória, pois me faz lembrar de coisas muito tristes.
Eu já me sentia mais livre para ler os clássicos do materialismo dialético histórico, afinal chegávamos à metade da década de 70...os ianques levando uma surra dos Vietcongs...o mundo parecia que ia explodir numa festa vermelha comunista. O tão temido comunismo de que discorriam os militares justificando seus horrores ditatoriais, sua violência generalizada contra tudo e todos que os tentavam dar vida aos obscuros anos mortíferos do após golpe de 1964.
E ficamos naquele sonho, nossos operários liderados por uma liderança ainda pouco conhecida, um homem que despontava em meio a greves desafiadoras da famigerada Lei de Segurança Nacional. Lei famosa por não estabelecer limites aos militares na sua sanha de perseguir, prender, torturar, desaparecer e matar todos os seus inimigos sejam políticos ou por questões pessoais. Isso, inclusive, deveria ser objeto de estudos. Quantos não devem ter sido assassinados por motivos puramente pessoais da casta de militares?



Aquele operário, da região mais industrializada do país, o ABCD paulista, enfrenta todos os poderes para conseguir ser ouvido, ele e sua companheirada. Era o nosso Lula! E ele foi preso, e ele foi fichado e ele...
Não ficou só! Alguns militantes de esquerda, inclusive eu, o temiam por pensarmos ele ser um pelego, um tipo de sindicalista muito comum na época. Afinal, liderava um sindicato que recolhia o Imposto Sindical!
Lula, entretanto foi uma surpresa não tão surpresa. Surge o movimento pró-partido dos trabalhadores e, ele, é o líder mais respeitado.
Início dos anos 80, o Partido dos Trabalhadores é fundado (alguns anos mais tarde - se não me engano, 1983, me filiei formalmente) e será fundamental para dar legitimidade ao processo de extinção dos poderes políticos dos militares, num grande mutirão dos diversos protagonistas sociais e populares para a transição pacífica em um processo de democratização da vida política brasileira.
O país chega ao fundo do poço do terror que emerge das revelações do que se passou nos subterrâneos da ditadura militar. As denúncias de torturas, assassinatos políticos e desaparecimentos de pessoas correm de boca em boca, começam a ser denunciados entre a população e os meios de comunicação passam a ter que noticiar sobre esta página negra de nossa vida política. Meus pais se decepcionam e minha mãe, pela primeira vez na vida, abraça as idéias de democracia popular e de condenação ao comportamento dos militares. Um livro joga a pá de cal em qualquer justificativa ou desculpas ao que ocorreu de tão vil com nossa Nação: é o "Tortura Nunca Mais". A vergonha nacional está ali estampada, nua e crua!




Em 1988 é promulgada a nova constituição sem o voto de aprovação do PT. Eta partidinho sempre do contra...já virava um debate entre as pessoas.
A luta pelas eleições diretas em 1984 e, depois pela eleição do Tancredo Neves (da qual o PT não participou - burguês por burguês...), significou um ascenso do movimento de massas no Brasil que nos levou a uma pequena mudança nas relações entre os agentes políticos. A tutela dos militares ficou menos intensa e a vontade popular foi expressada em manifestações, greves, eleições mais livres e democráticas. Muito vigor dos setores democráticos levou o país a romper com a legislação autoritária e os anos noventa prometiam.  O Partido dos Trabalhadores era o impertinente que denunciava as artimanhas que os políticos tradicionais armavam para manter a dominação das oligarquias que, agora, com o fim da ditadura tinham que se reorganizar, dando os anéis sem perder os dedos.
A União Soviética e os países socialistas do Leste Europeu passaram por rupturas que os levou a outras relações em suas próprias sociedades e com os demais países europeus. Os partidos comunistas se fracionaram, surgiram novos atores políticos como o Solidariedade na Polônia. A Iugoslávia também se esfacelou, submergindo numa guerra fratricida. O mundo socialista sucumbiu à política de reestruturação e abertura proposta pelo último poderoso secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética.
Correu mundo a ideia do fim da História. Não haviam mais dois blocos de super poder, não havia mais confronto entre capitalismo e comunismo. O primeiro tinha vencido a batalha ideológica.



No Brasil, o que víamos? Um partido de origem operária, com propostas radicais de mudanças na sociedade, alinhado às forças populares, socialistas, comunistas e até anarquistas.
Os militares torceram o nariz, porém as ações de massa, povo na rua exigindo liberdades democráticas, amplas, sem intervenção de poderes armados e organizados em partidos políticos, fizeram com que o poder anacrônico, opressivo e sem legitimidade fosse derrotado. O Brasil se levantava depois de se ver de joelhos, frente aos interesses das multinacionais e do capitalismo financeiro.
Em 1989, Lula fica para disputar as eleições no segundo turno com Collor de Mello e no último debate antes das eleições, amplamente divulgado pelas organizações populares e pelo próprio Partido dos Trabalhadores, se tornou peça chave para a vitória do candidato operário. Uma decepção! Lula se entrega às manipulações de Collor e, no dia seguinte a Rede Globo (como recentemente admitiu seu diretor geral à época, Boni) editou o debate no Jornal Nacional de sábado, véspera da eleição, cavando, assim, o enterro da candidatura que poderia iniciar a mudança econômica, social e política naqueles anos.
As organizações do povo, socialistas, populares e democráticas continuaram avançando. As lutas não foram abandonadas, em diversos lugares do país foram organizadas frentes políticas para criação do poder popular. Associações de Moradores, conselhos paritários entre cidadãos e Estado, organizações de afro-brasileiros, mulheres, índios, por rádios livres, pelo cuidado com o meio ambiente, pela inclusão social dos deficientes físicos, pelo direito de cidadania plena da população LGBT, pela reforma agrária (Movimento dos Sem Terras e assemelhados), pelos direitos dos Sem Moradia. O Estado democrático instituído pela Constituição de 1988 já teria que ser revisto e incorporar as muitas demandas da sociedade que teimou em não ficar parada, em não se dobrar ao neoliberalismo, a nova ideologia, que veio no esteio do "fim do socialismo". Dizia-se que era chegada a hora da "globalização", hoje menos de 30 anos depois já tão démodé em se citar.



Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva é eleito presidente da República, recebendo um país com inflação quase a dois dígitos, dívida externa impagável e mal resolvida com os credores internacionais, o dólar valendo quase quatro reais, o país passando por um processo profundo de desindustrialização: resumindo, o caos.
Em quatro o novo Presidente da República inverte todas as previsões negativas para o Brasil, diminui todos os índices negativos e introduz políticas sociais exitosas. É reeleito em 2006, consolidando o processo de transformações e conduzindo o país aos melhores anos de sua existência, com o resgate social mais profundo de sua história. O processo democrático, entretanto, continua patinando na Democracia representativa. Não há avanços na estruturação e institucionalização de um poder popular mais decisório.
Em 2010 o ex-presidente Lula apresenta ao povo sua sucessora, a ex-ministra das Minas e Energia, depois ministra da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Roussef, que é eleita num processo onde a oposição, já sem bandeiras, apela aos setores mais conservadores, racistas e retrógrados do eleitorado com uma plataforma mal debatida e sem sustentação política ameaçadora ao intento dos setores democráticos e populares. A oposição, como uma última tentativa de não perder o trem da História passa, em coro com parte da mídia ligada aos interesses dos grandes agiotas e financistas internacionais, a fazer campanha contra "a corrupção", identificando-a com o PT e a esquerda. Um abaixo assinado, entretanto, une toda a sociedade no Movimento pela eleição de candidatos ficha limpa (sem condenação na Justiça). Ela é aprovada no Congresso Nacional e passa a valer a partir das eleições em 2012.
A democracia brasileira não tem aprofundado suas raízes no seio dos setores sociais que podem ser definidos como os guardiões de seus preceitos e de sua legitimidade. O processo de eleições a cada dois anos está criando um estranhamento do povo a tantas promessas não cumpridas e não se faz ser entendido que eleições, simplesmente, não resolvem as diferenças sociais e políticas que existem no Brasil, país onde impera uma enorme desigualdade social, diferenças regionais profundas, miséria e pobreza ainda não extinguidas.
Os índices das mudanças estão melhores, mas aquém do que é necessário para que possamos dizer que vivemos em um país democrático. É preciso qualificar o processo educacional. Os investimentos em saúde, transportes, energia, meio ambiente e segurança se tornam cada dia mais urgentes e necessários para ontem...
Milhões ascenderam em renda e em consumo, porém existem milhões que ainda clamam por Justiça em nossa sociedade: os imigrantes e migrantes escravos, os trabalhadores rurais, os trabalhadores menos qualificados, os povos da Amazônia, os indígenas, as crianças e adolescentes vitimados pela exclusão social e tantos outros setores alijados dos poderes de decisão e sem forças de convencimento.
A esperança não deve nos paralisar!



Meu pai e minha mãe, se vivos hoje - dia de finados de 2012 - estariam felizes em ver o Brasil que surgiu dessas últimas eleições: um país que aponta para mudanças e que, se não houver traições e golpes ao Estado de Direito e ao poder da representação, pode caminhar no aperfeiçoamento de sua democracia participativa e decisória.
As forças das mudança em todo o Brasil foram exitosas, apesar da organização espúria da oposição com o Poder Judiciário Federal, que julgou o chamado ""mensalão do PT" durante todo o processo eleitoral. Todo dia a população foi bombardeada com informações vindas de um verdadeiro Tribunal de Exceção que acusava lideranças antigas do PT de formação de quadrilha e corrupção. O tiro saiu pela culatra. O povo não se deixou enganar e olhou para sua própria vida, melhor do anos atrás e disse "nessa não caio". O Partido dos Trabalhadores foi o único, dos grandes partidos, que cresceu - acompanhado por um partido de porte médio (que é da base de sustentação do governo federal), o Partido Socialista Brasileiro - fundado pelo saudoso líder pernambucano, Miguel Arraes.
Nosso povo, entretanto, aponta para a necessidade de modificações na vida política! Ele deseja mais do que ir até a urna e digitar um número. Ele que ter voz e voto nas decisões cotidianas dos governos. Ele quer gestores da administração pública realizando os programas para os quais foram eleitos e não promessas que nunca serão cumpridas devido ao carreirismo político de falsas lideranças.
A democracia está numa encruzilhada: caminhará para ser uma farsa, ficando restrita às camadas mais poderosas e organizadas da população ou avançará para sua forma participativa, popular, em que os maus políticos paguem, antes das eleições, pelos danos que causam à sociedade, através de organismos que constituem o poder popular e seus aperfeiçoamentos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012


O Amor Que Não Ousa Dizer Seu Nome - Oscar Wilde










"O Amor, que não ousa dizer seu nome,"

Bateu-lhe à porta, ao acaso, um dia.

E ele, inebriado pela cotovia

(que paira à janela, mas depois some...),

...


Sentiu crescer, súbito, na alma, u'a fome

De algo que, até então, desconhecia.

Desejo... estranheza... culpa... agonia...!

Desce aos umbrais, na angústia que o consome!

...


... Porém, depois das lágrimas enxutas,

Chamou a cotovia, deu-lhe frutas,

E sorveram, um no outro, a própria essência.

...


E ambos, nessa atração de semelhantes,

Num cingir de músculos, os amantes

Ergueram-se aos portais da transcendência.


Oscar Wilde, 1876

(Tradução de Oliver Cavalcanti)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Melhor Parte da Nossa Memória está Fora de NósAs recordações em amor não constituem uma excepção às leis gerais da memória, também ela regida pelas leis do hábito. Como esta enfraquece tudo, o que mais nos faz lembrar uma pessoa é justamente aquilo que havíamos esquecido por ser insignificante e a que assim devolvemos toda a sua força. 
A melhor parte da nossa memória está deste modo fora de nós. Está num ar de chuva, num cheiro a quarto fechado ou no de um primeiro fogaréu, seja onde for que de nós mesmos encontemos aquilo que a nossa inteligência pusera de parte, a última reserva do passado, a melhor, aquela que, quando se esgotam todas as outras, sabe ainda fazer-nos chorar. 

Marcel Proust, in 'A Fugitiva
1871/1922 - escritor francês



29/10/2012

Um balanço das eleições municipais

As eleições municipais foram sobredeterminadas pelas eleições de São Paulo. Em primeiro lugar porque é o centro dos dois partidos mais importantes do Brasil nas últimas duas décadas. Em segundo, pelo peso que a cidade tem no conjunto do país – pelo seu peso econômico, por ser sede de dois dos 3 maiores jornais da velha mídia. Esse caráter emblemático foi reforçado porque o candidato opositor ao governo federal foi o mesmo candidato à presidência derrotado há dos anos, enquanto o candidato do bloco do governo federal foi indicado pelo Lula, que se empenhou prioritariamente na sua eleição. E pelo fato de que São Paulo era o epicentro do bloco da direita, que se estendia ao Paraná, Santa Catarina e aos estados do roteiro da soja, no centro oeste do Brasil

As eleições municipais tiveram claros vencedores e derrotados. O maior vencedor foi o governo federal, que ampliou o numero de prefeituras conquistadas pelos partidos que o apoiam, mas principalmente conquistou cidades importantes como São Paulo e Curitiba, arrebatadas ao eixo central da oposição. Ao mesmo tempo que a oposição seguiu sua tendência a se enfraquecer a cada eleição, ao longo de toda a ultima década, perdendo desta vez especialmente a capital paulista, mas também a paranaense e em toda a região Sul, Sudeste e Centro Oeste, em que os tucanos não conseguiram eleger nenhum prefeito nas capitais.

No plano nacional, avança claramente a base aliada, com dois dos seus partidos fortalecendo-se: PT e PSB e enfraquecendo-se relativamente o PMDB. Houve uma certa fragmentação no interior da base aliada e mesmo no bloco opositor, mas nada que mude a tendência, que se consolida ao longo da década, da hegemonia do bloco governamental, apontando a que nas eleições de 2014 Dilma apareça como a franca favorita,

A eleição de São Paulo se dá na contramão da tendência que se havia consolidado nas eleições presidenciais de 2006 e 2010, em que o Nordeste, de bastião da direita, se havia tornado bastião da esquerda, pelo voto popular dos maiores beneficiários das politicas sociais que caracterizam o governo federal desde 2003. Por outro lado, se havia deslocado o bastião da direita para os estados mais ricos do sul, do sudeste e do centro-oeste, com São Paulo – onde os tucanos tinham a prefeitura e o governo do Estado – como eixo fundamental desse bloco opositor.

A derrota em São Paulo, a nova derrota do seu ex-candidato duas vezes à presidência e a incapacidade de eleger sequer um prefeito em toda essa região, demonstra como a direita se enfraquece também onde concentrava seu maior apoio.

Por outro lado, somando erros do PT e campanhas com forte apoio de governos estaduais que detem, aliados do governo derrotaram o PT em várias cidades importantes entre elas Belo Horizonte, Recife, Salvador e Fortaleza, como as mais significativas. Somente em um caso – Salvador – essa derrota se deu para a direita. Revela erros – em alguns casos gravíssimos do PT, como Salvador e Recife – do PT e limitações da ação de Lula e de Dilma para compensar esses erros. Um grande chamado de atenção sobre fraquezas do PT, sem que afete em nada a projeção eleitoral presidencial para 2014.

A derrota em São Paulo é um golpe duro para os tucanos, que sempre contavam com um caudal grande de votos paulistas para ter chances de compensar os votos do nordeste dos candidatos do PT e agora se veem enfraquecidos em toda a região onde antes triunfavam. Eventuais candidatos presidenciais como Aécio – quase obrigado a se candidatar, embora com chances muito pequenas de um protagonismo importantes, quanto mais ainda de vencer – ou Eduardo Campos – sem possibilidades de se projetar como líder nacional foram dos marcos do bloco do governo, que já tem Dilma como candidata para 2014 -, são objeto de especulações jornalísticas, à falta de outro tema, mas tem reduzidas possibilidades eleitorais.

O julgamento do processo no STF contra o PT foi um dos temas centrais de Serra e revelou sua escassa influência eleitoral diante da imensidade dos problemas das cidades brasileiras e do interesse restrito da população, apesar da velha mídia tentar fazer dele o tema central do Brasil. Nas urnas, o povo demonstrou que sua transcendência é muito restrita a setores opositores e à opinião publica fabricada pelos setores monopolistas da velha mídia. Os implicados no julgamento ao basicamente dirigentes paulistas do PT, mas a eleição em São Paulo demonstrou como o julgamento e a influência da velha mídia continuam a ser decrescentes.

Outros temas podem ser analisados a partir do resultado eleitoral, mas eles não alteram em nada fundamental o transcurso da politica brasileira, que segue centrada em torno da resistência do governo aos efeitos recessivos da crise capitalista internacional, para elevar os índices de crescimento da economica e seguir expandindo as políticas sociais.
Postado por Emir Sader às 07:19